Luiz Gonzaga Medeiros Bezerra
Os egípcios tinham baseado sua arte no conhecimento. Os gregos começaram a usar os próprios olhos. Uma vez iniciada essa revolução, nada mais a sustentaria. Os escultores em suas oficinas ensaiaram novas ideias e novos modos de representação da figura humana, a cada inovação era avidamente adotada por outros, que adicionavam as suas próprias descobertas (GOMBRIGH, ANO, p.48/49).
É entre os gregos que se deve procurar a realização histórica do ideal clássico (G. W. F. HEGEL, O BELO NA ARTE, ANO, 483).
A obra de arte, porém, não apresenta este isolamento desinteressado: é uma interrogação, um apelo dirigido às almas e aos espíritos (G.W.F. HEGEL, O BELO NA ARTE, p.93).
1 ANATOMIA, IMAGINAÇÃO IMAGINADA E PULSÃO NA ARQUITETURA, ESCULTURA E PINTURA GREGA
Os gregos foram portadores de uma curiosidade matricial, do espanto originário e da admiração frente ao mundo que resultou em diversas faces da criação ou nos vários campos como o da filosofia, medicina, arte (arquitetura, escultura, pintura) educação, o estado, a política e a poesia.
A razão, o cálculo matemático, levaram os gregos a dominação da natureza sem deixar de falar na conexão pulsional transformados em poesia e as paixões humanas mitificados. Até o aparecimento de Sócrates, os gregos vivenciaram um cimento, uma cola, uma argamassa fabricadas com a mistura da paixão e da lógica, com as forças de Dionísio e as forças de Apolo juntas, o fogo da razão fabricado pelos átomos das pulsões.
O homem grego produziu a filosofia primeiramente transgressora, poética e racional, criaram assim a matemática, um paradigma numérico, uma explicação materialista para o mundo formada de átomos e de dialética, uma matriz para a natureza formada de água-ar-terra-fogo, uma razão que identificava, categorizava as coisas, sem contar que elaboraram um conjunto de deuses e um lugar especial para eles ao se depararem com a forças inexplicáveis da natureza, os limites do corpo frente a morte e o desejo que colocava a carne em movimento.
Antes de Sócrates, a Grécia vivia a pulsão e o calculo, a poesia e a matemática, o desejo e a regra, a fome e o limite, após Sócrates a poesia, a pulsão, os instintos passaram por uma educação, aprisionamento, aquilo que era estético-poético-queimante-institual, e tudo que era transgressor-polifônico-dialético foi classificado e acorrentado pelas cadeias de uma razão dominadora. Desse modo a razão dominou a vida e em vez de dialogar com a natureza-vida, com a vida e seus limites, e inventar com ela saídas para enfrentar o que é mais terrível na natureza que é a morte, a razão passou a construir caminhos para escamotear a morte e esqueceu que ela sempre para ser simbolizada e esta simbolização veio através de diferentes caminhos um deles foi a arte, a filosofia, a medicina, a política e a pedagogia grega.
Todos os campos do saber foram construídos para enfrentar a natureza que também é humana, o homem também é a natureza.
Os gregos construíram uma civilização onde predominou o racionalismo, o desejo pela beleza compreendida como harmonia e elegância, razão e virtude. Entre os gregos nasceu a democracia e a educação paidéia como obra da razão e do modo de produção social da existência: a polis de base econômica escravagista.
A Grécia inaugurou uma arquitetura fundamentada na razão, isto uma arquitetura com anatomia rígida e com a sistematização e combinação de elementos, com os conceitos básicos da arte: a arte grega é uma tipologia, leis-padrões, regras que passaram a ser respeitadas e universalizadas.
1.1 ANATOMIA E TIPOLOGIA DA ARQUITETURA GREGA
Os materiais e o sistema e técnica construtiva grega clássica foram:
1.1.1 Materiais: mármore e, profusão; pedra (folhada e assentada com perfeição); argila (nas construções secundárias; madeira para coberturas e tetos.
1.1.2 Sistematização e técnica construtiva: trilito, devemos salientar que os gregos foram conhecedores de diversos sistemas construtivos incluindo o arco e a alsobada, entretanto concentraram suas experiências e atenção no mais simples que era o trilitico (de lithos, pedra), isto é, constituído por uma laje de pedra horizontal (arquitrave) apoiada em dois suportes verticais.
Encontramos os telhados inclinados em duas águas, tetos com vigas de madeira emoldurando placas de terrocota, alabastro ou cerâmica.
1.1.3 Razão e lógica: o edifício tipo: o templo.
A razão grega formulou um edifício tipo sobre o qual sistematizaram seus projetos científicos arquitetônicos, criaram categorias, deram uma forma canônica-paradigmática ao templo grego. Sistematizaram os saberes arquitetônicos de cada arquiteto, criando um habitus, uma vocação e obtiveram um resultado ou um fim representativo denominado de edifício-tipo.
Os resultados desta técnica sistematizada foram transmitidos, aceitos como modelo interpretados, ensinados, decorados, como ideias claras e distintas do fazer ou da práxis arquitetônica.
1.1.4 Características plásticas da arquitetura grega
A arquitetura grega parte de uma razão dialética que institui o edifício-tipo denominado de Templo; após a objetivação deste elaboraram e categorizaram as ordens (dórica, jônica e corintiana e a transgressão denominada de cariátides). Inventaram nesta práxis de arquiteto o teatro, como sendo uma das mais importantes estruturas arquitetônicas.
Compreendemos que as características plásticas da arquitetura grega são: a elegância, o ritmo; proporção e harmonia, modinatura (perfis acuradamente estudado), é necessário, portanto, saber ver esta arquitetura possuidora de equilíbrio, balanço, personalidade, ritmo.
Entre os elementos que caracterizam a arquitetura grega estão presentes a policromia (pintura interior e exterior) os baixos relevos nos tímpanos e nos frisos e uma elaborada e complexa temática decorativa fruto das forças pulsionais, do desejo e de uma imaginação imaginada que vai além do campo normativo da razão. Esta temática decorativa esta em conexão com a escritura religiosa dos gregos e com suas fantasias: Deuses, Deusas, Ninfas, Herói, |Templos lendários, folhas de acanto, palmitos estilizados, rosáceas.
Com relação a modinatura e a decoração as características foram: curvas de concordância, óvulos, dentículos caneleiras, gregas.
1.1.5 Principais monumentos da arquitetura
Os gregos criaram, elaboraram um arsenal de tipos arquitetônicos como o Templo, a Acrópole [cidadela], Propileus, Guiasius, Teatros, Estádios, Odeons, Monumentos comemorativos, Agora, monumentos funerários e residência.
1.1.6 Anatomia da arquitetura grega: uma nacionalidade
1.1.6.1 O entablamento: cornija; friso (métopas, tríglifos, mútulos); arquitrave.
a) Entrablamento: é a parte superior de uma ordem formada pela arquitrave, o friso e a corrija.
b) Friso: parte do entablamento situado sobre a arquitrave e por baixo da corrija. Na ordem dórica é constituído por métopas etriglifos; na jônica, por uma faixa continua com figura de animais (zoomorfo); da mesma maneira da coríntia.
c) Frontão: elemento arquitetônico triangular com que são remotadas as fachadas do templo grego (coberto com um teto de vertente dupla).
d) Tímpano: é a parte triangular interna do frontão.
e) Cornija: parte superior saliente de um entablamento.
1.1.6.2 A coluna
As colunas dos edifícios gregos são formadas pelos:
1.1.6.2.1 Capital: (parte superior da coluna, sobre ele apóia-se a arquitrave).
1.1.6.2.2 Fuste (liso ou com caneluras): parte central e maior de uma coluna (corpo) nas ordens gregas é sempre canelado. Vejam que o fuste dórico tem caneluras continuas de secção elíptica; os jônicos e coríntios tem caneluras circulares separadas por listel planos.
OBS.: A base da cluna é formada pelo toro, plinto e estilóbato.
a) Toro: fica abaixo do fuste, antes do plinto.
b) Plinto: elemento da base da coluna, presente na ordem jônica e na coríntia. Tem a forma de paralelipipedo.
c) Estilobato (estilobata): plano superior do baixo crepidoma sobre o qual se apóiam as colunas.
1.1.6.2.3 A base da coluna: uma das três partes da coluna, serve-lhe de apoio e é elemento de união com estilobata. Na ordem dórica não existe base; as ordens jônica e coríntia tem uma base composta de várias molduras sobrepostas.
1.1.7 Os gregos criaram a ordem – as ordens arquitetônicas
As ordens gregas da arquitetura fazem conexões com o discurso de Platão no banquete.
O aparecimento das ordens na arquitetura grega envolve transgressão, polifonia e pulsão, envolve o thauma, a curiosidade do filosofo-arquiteto-artista; o espanto do pesquisador da filosofia e dasartes; a admiração-perplecidade frente ao cosmos e a natureza de modo geral.
As ordens arquitetônicos envolvem a paixão e a vida humana, fazem conexão com regras de combinação dos elementos de construção, dialogam com as categorizações que os gregos deram as ruas raças, com o discurso filosófico sobre o amor em Platão envolve um saber polifônico-desejante, o desejo do desejo, a beleza, as relações entre os homens, o modo de desejar na polis e a forma de fazer política-religião-administração do estado e poesia.
As ordens foram para os antigos gregos três: a ordem dórica; a ordem jônica e a corintia. Posteriormente aparecera uma ordem transgressora denominada pelos gregos de carátida.
1.1.7.1 Assim como é Eros na fala de Aristófanes, no Banquete de Platão, são portanto as ordens da arquitetura grega.
Para os filhos do sol, isto é, os homens uma ordem máscula; para os filhos da terra, isto é, as mulheres uma ordem feminina e para os filhos da lua uma ordem hermafrodita-mista, portanto existe uma síntese entre razão e natureza, desejo e lógica.
1.1.7.1.1 A ordem dórica: os filhos do Sol: capitel masculino não possui decoração.
A ordem dórica possui austeridade, é maciça, é a mais antiga e a mais típica e famosa da arquitetura grega possuem colunas caneladas, sua arquitrave é lisa possuindo um friso sobreposto e a cobertura é de vertente dupla.
O capitel da colina dórica é masculino: é um capitel másculo, fálico.
A coluna é desprovida de base com caneluras de arestas vivas; o
Capitel e singelo com um equino e um ábaco;
A arquitrave lisa; o
Friso possui métopas e triglifos em sua decoração;
Acornija e balanceada e perfilada; o frontão possui tímpano decorado com baixos-relevos. Os exemplos desta ordem são: o Templo de Poseidon em Paeston (500 a .C.); Partenon de Atenas (454 a .C.); Thesion em Atenas (465 a .C).
1.1.7.1.2 A ordem jônica: os filhos da terra: o capitel feminino: os ovários.
Esta segunda ordem é quase contemporânea da dórica, representa a graça e o feminino em contraste a austeridade e a masculinidade da ordem dórica. Não é uma ordem rigorosa.
No friso do Templo dórico a cada espaço entre duas colunas encontraremos duas metoplas e três triglifos.
A graça e o movimento decorativo aparecem na ordem jônica, pois seu capital é elegantemente perfilado com duas volutas como se fosse um rolo de papel enrolado nos extremos.
Encontramos na ordem jônica: Base, coluna com capitel com volutas e óvulo, fuste com caneluras, arquitrave fina, friso contínuo com baixos-relevos sem divisões frontão liso sem baixos relevos; cornija balanceada e perfilada com dentículos.
Exemplos: o Erecteion de Atenas (420 a .C.) e o Templo de Ártemis em Éfeso (365 a .C.)
1.1.7.1.3 A Ordem Coríntia: Os filhos da lua – a natureza andrógina.
Esta ordem dentro da racionalidade arquitetônico-tipológica grega pode ser identificada por possuir um capitel em forma de flores com fileiras de folhas de aconto curdadas.
É a terceira ordem grega, uma variante decorativa com volutas em número de quatro, predominando as folhas de conto com base mais decorada.
1.1.7.1.4 A Ordem Coriátida.
São as estátuas femininas que sustentam um entablamento sem frisos, em lugar das colunas. Exemplo: o pórtico do Erecteion em Atenas (420-393 a .C.).
A ordem cariátida é considerada como uma variante, são figuras femininas que substituem a coluna como suporte do edifício, é uma variante fundamental da ordem jônica e é também um caso excepcional para a arte grega e seu valor decorativo é digno de elogios.
Esta ordem está associada a lenda contada por Vitruvio segundo a qual as mulheres da região da Cária tentaram auxiliar os persas contra seu próprio povo. Estas foram condenadas costrabalhos forçados por terem cometido este crime, os arquitetos gregos resolveram cristalizar este ato de deslealdade, isto é, este fato no apoio dar o nome: ordem cariátida.
1.2.1 O período arcaico: período inconsciente, princípio do prazer
A arte grega arcaica evoca as forças do artista na tentativa de passar para o ato o que vem ao seu espírito de uma região arcaica de sua mente, isto é, o inconsciente que possui elementos que não foram simbolizados.
É o Kourai e Korai, ou melhor, é centrado na figura feminina de 650 a .C. de calcário e na figura do jovem (Kouros) de 600 a .C. em mármore que fundamentamos este escrito.
As estátuas gregas arcaicas são expressões de um inconsciente bruto com relação ao fazer artístico, das forças que vão brotando primitivas, rígidas, excessivamente desajeitadas, são fogos-fálicos, pouco naturais.
Entretanto não devemos deixar de ver as qualidades, pois o escultor grego procura separar os braços do torso, para o escultor grego é importante a representatividade na pedra, existe um esforço para dar realidade representacional, é o corpo-real que está sendo simbolizado, nomeado, é o desejo de tornar a medra humana, de deixar o inerte em movimento.
Qual o desejo daqueles que elaboraram as estátuas gregas no período arcaico?
A Estátua feminina denominada de Korai (plural de Kore, mulher jovem), às masculinas mostrando o corpo fálico o kouroi (plural de kouros) ou homem novo. A mulher esconde a castração neste primeiro tempo e o homem mostra o poder do falo, apesar dos autores não saberem explicar porque os homens estão sempre nus e as mulheres vestidas, entes dois tipos de figuras foram amplamente representadas na época arcaica.
São os dois seres intermédios, nem deuses nem homens, são o tipo ideal da vitalidade e da perfeição da qual participam os deuses (imortais) e os homens (mortais).
1.2.2 A Escultura clássica: o desejo frente a morte e a sublimação na arte racionalizada
A pulsão artística vai efetivar transformações em que renovam-se os estudos sobre o movimento, a roupagem, a expressão e o modelado anatômico.
As estátuas gregas refletem o desejo do homem em atingir a perfeição e o imaginário produtor de representações de deuses, efetivando uma síntese perfeita entre o homem desejante e o homem racional, o homem possuidor do recalque originário que perdeu a paz no mundo paradisíaco do útero materno e que tenta retornar a essa pátria construindo um mundo de deuses, heróis, para assim conviver com o corpo cheio de imperfeições e decadente que pode ser a qualquer momento arrebatado pela morte.
A estatuaria grega clássica é fruto do saber grego pulsional, de forças sublimadas para chegar a perfeição e a realização do tipo ideal grego.
Se o corpo apodrece, envelhece, se o corpo carrega fezes, gases, doenças, as estátuas são perfeitas, proporcionais, imunes as doenças e as calamidades que atingem o corpo.
Algumas características da estatuaria grega clássica: o fazer racional e a poética religiosa.
1.2.2.1 Os Deuses gregos representados como seres humanos idealizados (União da razão com o imaginário) a este fenômeno damos o nome de Politeísmo Antropomórfico.
1.2.2.2 O amor pelos exercícios físicos: o atleta é frequentemente tema de inspiração (O atleta é o ser perfeito, é o falo com toda a magnificência, incorruptível cheio de força e vitalidade).
1.2.2.3 As estátuas são verdadeiras obras mestras de anatomia: o corpo anatômico é simbolicamente mapeado. É o corpo-real que passa a ser simbolizado, comportimentalisado, exige-se da razão-linguagem um mapeamento do corpo em regiões neste caso o real passa pela simbolização na arte e na anatomia.
1.2.2.4 Gosto pela elegância no trajar: A ideologia e os valores: as vestas são cuidadosas e delicadamente esculpidas. Os gregos passam a ver que até nas dobras das vestimentas existe decoração plástica, os cabelos são estilizados, o vestuário, amplas roupagens cheias de naturalidade. A relação matemática para todas as partes do corpo, a regra e a proporção, o todo é perfeito as partes tem que serem perfeitas: objetiva-se a sublimação.
1.2.2.5 Paixão pela proporção e harmonia (Tipo ideal na escultura)
1.2.2.6 A Religião grega (hoje denominada Mitologia) é a fonte inesgotável em que saciaram-se muitos artistas: o imaginário e o desejo como matriz, para o fazer
a) As três deusas ornamentando o parteron, apresentam elementos caracterizadores da arte de Fidias (segunda metade do século V antes de Cristo).
b) Fidias: o clássico por excelência mostrou que a razão domina os meios, a pedra é a causa material, a razão a coisa eficiente e a causa formal está objetivada na capacidade de formar pormenores, idealizar os personagens e a máxima perfeição, o fim (causa final é decorativo religioso) ornamentação de templos.
c) O Escultor Policleto merecera o título de grande pelo “Cânon”, isto é, objetivou o sistema das relações matemáticas (o cálculo racional) para todas as partes do corpo: buscou reproduzir a beleza do tipo físico ideal e para isso estabelece o cânon.
1.2.3 A Escultura no Helenismo
Se o período arcaico é a tese representado pelos elementos arcaicos do inconsciente onde o princípio do prazer é efetivado, o período clássico é a antítese sob as regras do princípio da realidade –, isto é, o cálculo, a perfeição e a síntese é consubstanciada pelo arte helenística, isto é, um belíssimo trabalho com elementos de paixão e razão, conscientes e inconscientes.
Neste período a escultura grega é efetivada no vasto território sob um esquema complexo de elementos internacionais aderidos.
Enquanto a arte clássica não reproduz o homem na velhice, nem em sofrimento a arte helênica expressa a violência, a pulsão em movimento, a falta de calma, romantismo e realismo, e o hábito de fazer retratos tão em voga a partir do século IV a.C.
Para os artistas helênicos todas as faixas etárias e todos os aspectos da existência podem servir de modelo, as crianças desde a fase oral a edipiana, da edipiana a genital, a maturidade a decadência e o crepúsculo da vida as doenças as perversões físicas todos tentam o cinzel.
Se os retratos dos selêncidas, das lágidas relembram o tipo idealizado de Alexandre, existem efígies com o retrato de Homero, o de Sêneca marcado por um realismo cruel.
Multiplicam-se as representações de seres humanos feridos, moribundos e mortos; é também encontrado na arte Helênica o papel da paisagem nos relevos.
1.2.3.1 A arte Helênica na Escultura
1.2.3.1.1 Grupo de Laoconte: encontramos o sofrimento, o movimento, a teatralidade: Laoconte e seus dois filhos representam a tragédia sublime. É a punição divina que atingiu Laoconte e seus filhos por terem atuado contra Deus.
1.2.3.1.2 Vitória de Samotrácia: com um efeito meio dramático
Mostra a Deusa (Nike) acabando de pousar na proa de um navio com suas asas abertas em movimento semi-sustentada pelo vento forte contra o qual avançava. Esta força-pulsional de um vento invisível tornou-se presente na estátua – aqui nesta escultura torna-se uma realidade. A escultura e dotada de movimento, pulsão, força constante. É a mais brilhante obra do fazer saber artístico helenístico.
2 ESTUDOS DE CASO: ARQUITETURA, ESCULTURA E PINTURA GREGA
2.1.1 O homem: corpo e razão: “O Discóbolo de Míron: harmonia do corpo expressa no seu supremo grau: o tipo ideal da beleza
O Discóbolo é uma prova de que o homem grego portador do espanto e da curiosidade venceram as sombras e o medo da morte com o brilhantismo de sua arte que une a razão e a pulsão.
Os vultos imortais do saber-fazer artístico no campo da escultura grega clássica no século V foram Míron, Policleto e Fidias, portanto é louvável descrever o discóbolo esta fotografia instantânea encarnada na matéria.
O lançador de discos em que se retrata com perfeição a estrutura muscular do corpo, um corpo real que pede para ser simbolizado numa cartografia de lugares e locais. O lançador é a idealização do corpo fálico, másculo, da soma de todos os corpos no ideal tipológico da beleza calculada e pulsional.
O corpo do Discóbolo desvela e revela o cuidadoso estudo de anatomia, dos movimentos musculares, tendões e estrutura óssea que fazem parte da ação, isto é, da força constante que faz a passagem para o ato (no atleta). As pernas, os braços e o tronco inclinam-se para efetivar o golpe pulsional do homem que tem o desejo de poder. O rosto do atleta não está contorcido pelo esforço, mas é sublime, calmo, pensante, confiante na vitória; a cabeça não é brutal ou pesada, mas a do homem possuidor do espanto da admiração, da reflexão que elabora teorias, sistemas filosóficos. O Discóbolo é a arte perfeita e a voz de um período grandioso que foi o pensamento pré-socrático raiz de todo saber ocidental.
O Discóbolo é desejo e arte, retrata a libido, pedindo passagem, fazendo a causa material, pulsar, respirar, viver, desejar, incendiar.
2.1.2 Afrodite de Cnido: a obra de Praxíteles (300 a .C.): desejo e paixão, arte e vida: o homem escreve sobre os deuses (mármore)
Sinônimo de perfeição absoluta, é a primeira imagem de Afrodite-Vênus totalmente nua, é a mulher ideal com todo esplendor. Esta estátua era destinada ao culto.
Esta obra-modelo-paradigma inúmeras vezes reproduzida, cheia de incontáveis descendentes nas artes helenísticas e romanas é suave, sem cabelo de tratamento rude contrasta com o corpo sedoso, perfeito incorruptível, a Vênus possui o corpo que jamais se corrompe com o tempo, com as marcas do parto ou, com a velhice, sua boca é feita para o gozo absoluto e seus olhos estão molhados.
A Vênus acaba de sair do banho, seu corpo é molhado, e as vestas estão artisticamente envoltas em suas mãos de dedos perfeitos a espera de uma decisão.
2.1.3 Vênus de Milo (Estátua grega do século I a.C.): Vênus disseminar o amor urânico e pandemico (mármore)
A Vênus de Milo exibe o gosto pela elegância, o politeísmo antropomórfico, a busca pela reprodução da beleza tipo ideal com cânones ou regras ideais.
A Vênus de Milo é o absoluto, a dialética presente, pois foi concebida a partir do fogo pulsional de seu idealizador, que a tornou perfeita, para o amor nas formas urânica ou paudemiana, subjetiva ou carnal.
2.1.4 Apolo Belvedere: O perfeito exemplo da beleza clássica: beleza, tranquilidade, musicalidade, (Século IV a.C.) paixão, inspiração, motivação religiosa (mármore)
Mostra o modelo ideal do corpo de um homem, numa impressionante pose a segurar um arco no braço estendido e a cabeça de lado como se seguisse com os olhos o caminho efetivado pela flecha. Para onde Apolo olha?
Apolo olha para onde nós desejamos um dia olhar, sua flecha segue em direção ao seu objeto de desejo. Apolo olha e é olhado. Nós continuamos a buscar seu olhar sereno, tranquilo, com gozo.
Apolo é o senhor da paz, do lazer, do repouso, da contemplação intelectual, do ordenamento lógico, da calma e da racionalidade filosófica-científica, é o Deus onipotente da pintura, da escultura e da poesia.
2.1.5 Deméter de Cnido (340-330 a .C.): Deméter filha de Cronos e de Reia, é o útero de toda a humanidade, é a terra produtora; é a mãe de todos os homens.
Esta deusa é a maior das divindades greco-romanas.
Elaborada por Escopas ou o “Pathos”, natural de Paros, foi um artista atormentado, suas obras distinguem-se pela torção do corpo e a sombria expressividade dos rostos ficando bem evidente na Deusa Deméter de Cnido.
A maravilhosa estátua sentada de Deméter, do templo da deusa em Cnido possui um volume digno de nota, as dobras do manto em S traçado sobre o busto formam o contraponto ao corpo vestido. Seus olhos fundos perdidos na distância, já não veem, mas olham, sua cabeça possui uma doçura velada.
2.1.6 Hermes com Dionísio menino: a graça do magnífico play-boy do Olimpo produzido por Praxiteles
O grupo formado por Hermes e Dionísio menino em Olímpia, é o exemplo mais fiel da beleza escultural que derramava-se dos dedos de Praxíteles efetivando o milagre da criação artística.
As esbeltas proporções, a sinuosa curva do torso, o jogo de curvas suaves, a atitude serena e descontraída, este lânguido Hermes que está apoiado garbosamente num tronco de árvore, seu corpo perfeito cuidadosamente colocado numa pose indolente para fazer sobressair o tórax e os músculos perfeitos, o jogo de curvas suaves, sua atitude harmonizada a segurar Dionísio (Baco) deus do vinho, da folia, da vida superior, do prazer, da ação.
Mostra-nos que as estátuas gregas foram concebidas, gestadas e partejadas pelo espírito e pelo fogo humano para venerar os deuses, pois os deuses da Grécia foram concebidos à imagem e semelhança de seus criadores-humanos no momento em que venceram o medo da real que é a morte: em sendo assim os deuses possuem uma forma humana e são humanos grandiosamente humanos.
2.1.7 Athena Parthenos: A Religião-Mitologia é a fonte inesgotável em que foram saciar-se os artistas gregos por gerações
A Estátua de Athena Parthenos foi confeccionada por Fidias para o Templo, para veneração. Ela está em pé vestida com uma ampla túnica, é a homenagem suprema da Cidade Estado Aleniense (A Polis) à sua deusa.
Suas vestes são perfeitamente cuidadas, delicadamente esculpidas, mostrando o gosto do artista pela elegância, e a conexão homem finito com o imaginário religioso com Deuses representados como seres humanos portadores de pulsão e razão, desejos a cálculo lógico.
2.1.8 Jovem de Maratona (Bronze, aproximadamente 330 a .C.)
É a representação de um jovem que chegou a fase genital, mostrando a beleza do tipo físico ideal, canônica com proporções idealizadas; como a paixão pelos exercícios físicos fossem parte do habitus cultural, o atleta é frequentemente tema de inspiração e as estátuas são verdadeiras aulas-semiposium de anatomia já que fazem um itinerário e detalham cada parte do corpo com maestria.
As realizações na arquitetura grega foram identificadas desde os tempos romanos como ordem arquitetônica, com caracteres únicos e um edifício tipo-padrão. Desse modo o templo grego é uma unidade padrão dentro das ordens: dórica, jônica e corintiana.
2.2.1 Partenon de Atenas (454-438 a .C.)
Como modelo perfeito da arquitetura dórica clássica, o Parthenon forma um contraste elucidativo com o Templo de Poseidon e o de Paestum. O efeito que produz é o da harmonia festiva e o equilíbrio de um esquema racional e austero da ordem dórica-fálica-máscula, tal qual o estado cidade grega que era uma sociedade de homens.
A história deste edifício é tão possuidora de sentido, significantes, é tão extraordinária como seu significado artístico como obra da razão que domina a natureza e como obra de seres humanos dotados de vontade de poder e de instuito para a vida.
Como tmplo serviu a diferentes religiões, foi o tabernáculo para vários imaginários de fé e de ideologias. Os arquitetos Ictinos e Calícrates construíram-no de 448 a .C. Com o desenvolvimento do cistianismo a virginal deusa Atena deu lugar a Virgem Maria e o Parthenon tornou-se sucessivamente Igreja Bizantina, Catedral Católica chegando a Mesquita Turca. Entrou em ruínas em 1687 quando a cella utilizada como paiol pelos turcos otomanos explodiu no momento em que se efetivavam um cerco.
2.2.2 O Templo de Neptuno (de ordem dórica do século V a.C.): a casa do deus
A ideia base é a ordem, uma categorização do espírito em que cada elemento sistematicamente tem uma funcionalidade, na sua forma canônica, sobre a qual o espírito grego produziu e concentrou sua energia libidinal os gregos efetivaram um edifício-tipo construído com uma técnica-tipo com resultados aceitos, transmitidos, estudados, servindo de modelo-ordem-paradigma dominante com uma anatomia decodificada e repetida de cérebro a cérebro.
Os gregos introduziram na escala do material de construção o bloco de pedra e a ordem conhecida e determinada.
Observaremos que na ordem dórica as caneluras ou estrias são o elemento mais significativo da coluna dórica, seu número varia de dezesseis a vinte e quatro.
A coluna consta de um fuste ou corpo principal e sobreposto a este de um capitel que é um elemento intermediário entre o suporte e o entablamento. O fuste pode ser monolítico ou composto por tambores de pedra em serie.
2.2.3 O templo da concordia em Agrigento do século V: a ordem dórica
O templo da concórdia em Agrigento é um exemplo de tratado da arquitetura dórica; este templo é a escritura do tipo-modelo objetivada nas pedras que o dão vida.
É a brilhante conexão da vida do homem, a vida dos blocos de pedra que também perecem ou que são transformados na dialética da natureza.
As colunas com a sua típica decoração canelada ou estriadas em elipse com o capitel masculino construído por uma almofada de pedra colocada entre uma parte canelada e outra (o ábaco) em forma de dado.
Sobre a arquitrave nasce o friso com uma decoração de lajes de mármore (racionalmente) divididas com três incisões ou cortes (triglifos) alternados por quadrados esculpidos denominados de métopas.
2.2.4 Os templos jônicos: ordem jônica: o capitel feminino
Dos enormes templos jônicos erigidos em Efeso e Samos na Grécia primeira quase nada resta além das plantas.
Foi apenas no período clássico que se tornou uma ordem e mesmo assim tornou-se flexível se compararmos com a ordem dórica. Sua anatomia pode ser decifrada a partir da coluna que é mais esbelta e ligeira, o fuste assenta numa base emolduradal de perfil alternadamente convexo (toro) e côncavo (escócia) e é mais elegante, no capitel há um elemento novo projetado fortemente para os lados como um rolo duplo (são as volutas).
O mais vasto complexo jônico é o “Erectheion” que fica na extremidade central da Acrópole, frente ao Parthenon erigido de 421 a 405 a .C. por Mnesicles; este edifício veio a ser uma espécie de santuário polivalente com varias funções religiosas. O Ereictheion possui dois pórticos ligados aos lados, um grande que é voltado para o norte e o outro para o sul, frente ao Parthenon denominado de Pórtico ou Varandim das cariatides cujo telhado assenta em seis estatuas de mulher colocadas sobre um parapeito em vez de colunas habituais.
2.2.5 A ordem corintia: o andrógino consagrado
Advem do final do século V a.C. o desejo e a vocação pela ornamentação, daí os gregos inventaram o capitel coríntio como evolução do jónico e como terceira via, isto é, a natureza complexa e andrógena.
Aparece este capitel nas decorações dos interiores e no exterior está consagrado no “Monumento de Licícrates” em Atenas após 334 a .C, posteriormente o capitel coríntio veio a ser empregado como mais um paradigma-modelo-ordem no exterior dos edifícios e entre os romanos tornou-se padrão para todos os fins.
2.2.6 As Acrópoles
Eram cidadelas que posteriormente tornaram-se recintos sagrados, ou seja, um conjunto-grupo de templos edificados sobre um penhasco.
A Acrópole de Atenas, cercada por muralhas, com sua entrada feita de propileus, encontramos em sua intimidade os templos ou moradas sagradas dos deuses: templo de Ártemis, de Athena Ergane; o Partenon, o Ereicteion e o pequenino templo de Vitória Áptera. Entre os propileus e o Erection se eleva a colossal estátua de Athena Promakhos (Fídias). Estava edificada também a Pinacoteca decorada com obras (na pintura) de Polignote.
2.2.7 Os guiasios e os Estádios
Os guiasios eram pátios de esportes e utilizados pelos filósofos, pedagogos e sábios que ali repassavam dialeticamente o saber aos alunos numa educação paidéia cujo vínculo era o da Deusa Afrodite e o de Eros.
Os Estádios serviam para corridas a pé e lutas, possuíam a forma elítica ou então de um retângulo concordado por dois semicírculos em seus todos menores.
Quando estes edifícios permitiam corridas de carros eram denominados Hipódromos.
2.2.8 Teatrose Odéons
O Teatro grego era composto de:
a) Cena: retangular pouco profunda e cercada por 3 paredes.
b) Orquestra: circular reservada ao coro, tendo no centro um altar ou uma estátua.
c) Arquibancadas: escavadas na rocha em semicírculos com passagens radiais. Exemplo o Teatro de Dionísio 340 a .C. nas encostas da Acrópole de Atenas.
2.2.9 Monumentos comemorativos e a Agora
Os monumentos comemorativos foram as colunas, votivas, hermas (pilastras terminadas em busto), monumentos coragicos.
Enquanto a agora é a praça pública rodeada de pórticos, local em que o povo se reunia para tratar de temas do campo político, da sociedade. Estes pórticos eram via de regra decorados com pinturas.
2.2.10 A residência grega: a morada da vida, o ninho, o agasalho, o útero da vida: a casa
A parte privada era formada de quarto e apartamentos para as mulheres, o pátio central e a cavalariça.
A parte pública composta de sala de audiências e acomodações para hóspede.
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